terça-feira, 11 de setembro de 2018

GUIAS DE ARUANDA – CONSIDERAÇÕES E CURIOSIDADES



                Nada na espiritualidade é aleatório e não seria diferente quando se trata de guias. Os guias de Aruanda, especificamente, possuem por de trás de cada detalhe um fundamento e é isso que iremos explanar a seguir. Antes, porém, entenderemos resumidamente o que se entende por Aruanda.  No plano astral, cada linha ou segmento espiritual ou religioso possui um local correspondente paralelo. Exemplificativamente, temos muito conhecido no Brasil o Nosso Lar, paralelo do espiritismo kardecista no plano astral. Aruanda é o correspondente da umbanda. Esse nome, originalmente, era Luanda, capital da Angola, local para o qual muitos escravos pretendiam voltar ainda em vida. Essa cidade foi o maior porto de comércio escravagista da África portuguesa. Com as mutações da linguagem e o renascimento de cultos de matriz africana, Luanda tornou-se Aruanda e representa o local de morada e acolhimento dos espíritos amparados pelas Leis da Umbanda, por ter sido símbolo de liberdade, de retorno à terra natal.

                Passemos agora às considerações sobre os guias. Inicialmente, devemos ter em mente que um Orixá não é uma entidade guia. Um Orixá é uma deidade, uma manifestação do divino que nunca teve uma encarnação e não é humana. Sua representação imagética semelhante ao homem se faz para melhor compreendermos seus aspectos arquetípicos e assimilarmos melhor parte de seu conhecimento. Um orixá estará presente na coroa da pessoa, não sendo assim exatamente um mentor. Por hora, muito simplificadamente, podemos considera-los como vibrações divinas originais que atuam em campos determinados no divino, chamados de Tronos, cada um com suas propriedades e assentamentos. Dentro desses tronos, existem entrecruzamentos e orixás menores. Um orixá menor é um chefe de legião ou de falange. Importante ressaltar que as definições de orixás variam de culto para culto, mas é consenso que eles sejam deuses e não espíritos com encarnações prévias.
                Dentro da cadeia de guias, existem graus, linhas e dentro das linhas existem legiões,  falanges, sub falanges, agrupamentos, etc.  Esse conceito de hierarquia é muito definido e presente no desenvolvimento da organização espiritual e cada espírito responde em subordinação ao seu superior. As últimas divisões são os guias e protetores. O que vai nos indicar a qual lugar dentro dessa cadeia uma entidade pertence é o nome pela qual ela se apresenta e também o que ela mesma explica.  Podemos entender a qual lugar pertence uma entidade quando seu nome é simbolizador. Quando o nome é ocultador, possui um mistério que só será revelado pela própria entidade em momento oportuno.

                Um nome simbolizador é aquele que indica, através dos símbolos, alguma coisa a respeito daquele guia. Exu Tranca Ruas, por exemplo, já nos indica que é uma entidade do grau dos Exus que trabalha na linha à esquerda de Ogum, pois o ato de trancar rua é fechar um caminho, vibração relacionada a esse Orixá. Todo grau Exu responde à Ogum, mas não necessariamente trabalham na vibração desse orixá.  Um Exu do Lodo, por sua vez, seria do grau Exu e por isso responde a Ogum, mas trabalha na linha de Nanã. Sua falange é do Lodo, e dentro dela existem vários Exus do Lodo.  No nome simbolizador, algum símbolo, elemento, cor, local, fará a função de indicar seu posicionamento. Uma cabocla Estrela do Mar, nesse sentido, responde á Oxóssi por ser do grau caboclo mas trabalha na linha de Yemanjá.
                No nome ocultador, só saberemos a função de trabalho da entidade se ela mesma indicar. Como exemplo, temos muitos nomes de preto velhos que, apesar de comuns, são próprios. Pai Joaquim, Benedito, Vovó Maria, etc. Nesse sentido, os nomes dos guias não são necessariamente os de alguma encarnação, e não são escolhidos sem propósito. Eles são uma identidade espiritual que vai muito além da individualidade daquele espírito. Mesmo os nomes comuns e próprios tem um por quê e nos indicam a humildade de um espírito que abriu mão de ter um Eu consolidado no nome, fugindo a qualquer egolatria e se identificando da forma mais simples possível e, por isso mesmo, sendo geralmente de guias de vibração muitíssimo elevada.
                Todo grau de entidades possui um mistério e uma razão de ser, indo além da compreensão humana. Apesar disso, podemos ressaltar alguns pontos pacíficos nos tipos de trabalho. Sabemos, por exemplo, que o grau dos erês não necessariamente é formado por crianças que desencarnaram (apesar de isso não ser impossível) mas por espíritos que trabalham com questões de inocência, pureza, renovação, curiosidade, cura de emoções antigas e tudo relacionado à criança. De forma lúdica, muitos ensinamentos são passados assim.

                Quando da incorporação, cada grau vai irradiar um tipo de energia no médium que incorpora, além do trabalho para com terceiros. É muito comum a mulher que incorpora de forma alinhada sua pomba gira sentir-se muito bem posteriormente, com a energia renovada e vitalidade aguçada. Todos os guias e mentores de uma pessoa são exatamente os melhores que ela precisa para sua evolução e, consequentemente, são determinados pela composição dos orixás de sua coroa. Isso não significa que uma pessoa irá se limitar aos seus guias mais próximos. Dentro do polimatismo, é possível haver contato não apenas com seus próprios guias, mas com todos os guias necessários em algum momento para um trabalho.
                A confiança na inteligência maior do Pai Divino é essencial para entendermos que ele nos envia exatamente aquilo que precisamos, no momento que precisamos e da forma como precisamos para nossa evolução. Assim é com os guias de aruanda. Axé!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

OXUM – Cachoeira, ouro, espelho e ovos



O Trono do Amor é um dos sete tronos divinos revelados pela doutrina da sagrada umbanda de Rubens Saraceni. De acordo com esse estudo, Oxum rege essa irradiação de forma positiva, irradiadora e agregadora, opostamente a Oxumaré, que se encontra no polo negativo do mesmo. Apesar de seus campos de atuação na natureza serem as águas doces, sobretudo rios e cachoeiras, seu elemento é mineral. A origem de seu nome se dá por um rio homônimo localizado na Nigéria que até os dias atuais possui um culto próprio.
Por agir em campos emocionais, sua atuação pode causar a liberação da retenção do sentir através do choro, fazendo manifestar sua cachoeira em olhos humanos. As cachoeiras nos remetem à ideia de ininterrupta doação, assim como as águas doces se doam constantemente para o mar e Oxum nos doa incessantemente seu amparo e amor. Também, a fluência das águas e sua constante adaptação ao meio, ora correnteza forte, ora calmaria, nos trazem a maleabilidade e resiliência necessárias para lidarmos com o fluir da vida. A persistência das águas dos rios, sempre correndo pelo planeta conduzindo a vida, se encontra dentro de nós como o sangue correndo em nossas veias transportando os nutrientes necessários para nossa manutenção.


Dentro da vasta sabedoria africana, existe um Itan que revela a importância de Oxum no panteão dos orixás. Conta-se que nos tempos antigos, quando os orixás chegaram a Terra enviados por Olorum, ficou estipulado que apenas os orixás masculinos realizariam as reuniões necessárias para tomadas de decisão e discussões dos mais diversos assuntos. Nesse ínterim, enquanto os encontros ocorriam, Oxum decidiu mostrar o porquê de isso ser um equívoco sem tamanho. Sendo assim, com o intuito de demonstrar a importância de sua presença, secou todas as fontes de água doce do planeta e tornou todas as mulheres incapazes de conceber.
Algum tempo depois, percebendo que nada prosperava, os orixás decidiram procurar Olorum para explicar que, apesar de todos os esforços, tudo ia mal no planeta. Sendo ele o Criador do universo, questionou àqueles deuses-homens onde se encontrava Oxum. Foi dessa maneira que se clareou o entendimento da presença do Amor que, nesse ocorrido, personificou-se em forma Dela. Quando devidamente integrada, Ela ordenou que a água voltasse a brotar das terras secas e que os úteros voltassem a conceber a vida. Assim, a felicidade e a prosperidade retornaram ao planeta. Para além do óbvio de que sem amor não existiria vida, sem Oxum não existiria nada. Ela é yalodê, ou seja, considerada a mulher mais importante da tribo.
A simbologia que contorna essa Mãe vai muito além da água doce.  Algumas vezes, encontramos sua forma grávida, sinalizando seu domínio sob a fertilidade, a concepção da vida e sua proteção sob as mulheres nesse estágio. Por esse motivo, é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição no Brasil e, ainda, com Nossa Senhora Aparecida, por esta ter tido seu milagre realizado dentro de um rio.

ESPELHO
A respeito de seu espelho, símbolo mais representativo dessa yabá, ensina-nos um outro Itan que Xangô - à época dos fatos também casado com Iansã – não escondia sua preferência conjugal por Oxum. Aquela, muito enciumada do fato, aproveitou um dia em que Oxum estava se banhando em suas águas sob a luz do sol para se vingar da suposta rival e, assim sendo, investiu contra ela. Como a personalidade de Oxum não é afeita às armas nem à agressividade, ela apenas virou seu abebé (nome dado a seu espelho) na direção da rival, o que fez com que a luz do sol a cegasse e os ataques cessassem. A vitória da mãe do Amor reafirmou a preferência antiga de Xangô e nos abre espaço para inúmeros aprendizados a respeito desse instrumento.

Semelhante aos fatos narrados, na mitologia grega também encontramos a mesma função para o reflexo, quando Perseu derrotou Medusa fazendo-a olhar a si mesma em seu escudo espelhado. A analogia nos remete impreterivelmente a máxima grega: conhece a ti mesmo. Espelho é também símbolo de consciência, de revelação do inconsciente, sendo encontrado em um vastíssimo número de histórias míticas, algumas vezes como portal para outras dimensões, como arma ou como instrumento magístico. Unanimidade nos estudos espirituais de diversas linhas da humanidade, não deve ser confundido em Oxum com sua aparente contradição de futilidade e vaidade. Ele é, além de autoconhecimento, amor próprio e vetor de autorreflexão. Está, nesse caso, associado à lua que, como ele, reflete a luz solar sem a gerar em si e também ao feminino e ao autocuidado.

OURO
                Não por acaso, o ouro também é diretamente ligado a essa orixá. É considerado por toda a humanidade como o metal mais precioso encontrado, sendo símbolo do que existe de mais perfeito na natureza. É luz solar cristalizada cuja transmutação é objeto de desejo dos alquimistas. No caso de Oxum, é a prosperidade consequente do amor, a nobreza da consciência de caráter divino e a preciosidade desse mistério. Na esquerda de seu Trono, encontramos a falange de Exu do Ouro, seres que trabalham diretamente sob sua irradiação e evoluem através do trabalho dentro dessa hierarquia.

OVOS
                Dentro de seus símbolos encontramos, ainda, a galinha e seus ovos. O ovo é o maior símbolo de fertilidade encontrado no reino animal e, não por acaso, tem uma coloração amarelada em sua gema que contém potencialidade de vida. É muito utilizado na ritualística africana. Em um itan de Oxalá, no qual a Morte assolava toda a população de uma localidade, trazendo sofrimento e terror aos moradores, ele ordena que seja feito uma grande oferenda de galinhas pretas pintadas com giz branco para espantá-la. As galinhas são, nesse sentido, símbolo máximo da vitória da vida sobre a Morte.  Assim como a galinha protege seus pintinhos, Oxum protege a seus filhos com todo seu amor debaixo de suas asas. Ora yeyeô!

REFERÊNCIAS

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Nanã, a Senhora do Barro


"Foram as tuas mãos
que me formaram
e me fizeram.
Irás agora voltar-te e destruir-me? 
Lembra-te de que me moldaste
como o barro;
e agora me farás voltar ao pó?"
Jó 10:8 e 10:9

A passagem bíblica acima, meramente ilustrativa, nos traz em forma de versos o que é o campo de atuação de Nanã. Ocorreu que, de acordo com um dos Itans passados através das gerações, lá no início dos tempos, Oxalá estava procurando algum material para moldar o ser humano e assim colocar o sopro de vida do espirito de cada homem que seria criado, por ordem de Olorum. Assim, tentou fazer o homem de fogo, mas ele se consumia. Tentou fazer de água, mas esse se esparramava. Usou o ar, mas esse se dissipava rapidamente. Com a terra, se esfarelava. Até tentou com azeite e mel, mas esses, por sua vez, derretiam. Nem a madeira, nem as pedras e nem o ferro eram maleáveis o suficiente para dar a forma que Oxalá queria. Depois de muitas tentativas falhas, Nanã veio em seu socorro. Foi então que ela pegou um punhado de barro do fundo de um de seus lagos e o emprestou a Oxalá, que finalmente conseguiu usar a densidade do material para fazer a fôrma dos espiritos que iria soprar. No entanto, a Orixá fez um único pedido em troca: que, ao final da vida de cada um, o barro fosse a ela devolvido.


A simbologia do barro é universal e contém parte do mistério da origem da vida do homem e de  sua natureza. Em muitas passagens espirituais, encontramos figuras de linguagem relacionando a feitura de um vaso à feitura do homem, respectivamente nas mãos do oleiro e nas mãos de Deus. Com os orixás, a gênese não se faz diferente. É Nanã quem traz o material da vida aos seres a partir do barro e Oxalá quem sopra a vida. Diferentemente das crenças não reencarnacionistas, na cosmogonia dos orixás temos sua atuação também no momento pré re-encarnatório, onde Ela rege sob a memória dos seres, junto à Obaluaê.

A memória é uma das suas áreas de domínio. Por ser a orixá mais antiga e estar presente desde o início dos tempos, a sua própria memória a tudo engloba. No entanto, nos seres sob os quais rege, ela é quem decanta essa função para que os homens possam cumprir os propósitos da missão encarnada. Nada lembramos de nossas vidas passadas pois Nanã nos transforma em barro quando abandonamos o corpo e nos molda em um novo vaso, quando pertinente, esvaziado e pronto para receber outros ensinamentos. Existe um mistério por trás disso que, apesar de não ser intransponível, possui uma razão de ser. Como poderíamos aprender a amar um irmão se soubessemos o que ele nos fez de grandes males em encarnação anterior? E como poderíamos nos perdoar ao jamais esquecer o peso daquilo tudo que fizemos? O esquecimento, quando emanado pelo Divino, é reparador e renovador.

Pelo fato de Ela estar presente junto a Oxalá desde o momento do inicio dos sopros de vida e também
por estar associada à perda de memória (que pode, inclusive, acontecer em momento no qual o ser se encontra ainda encarnado, como no mal de Alzheimer e na demência, por exemplo) é que temos sua imagem praticamente sempre relacionada à uma anciã, à velhice, a senilidade e aos idosos. Dentro do sincretismo brasileiro, temos Nanã  como Sant'ana, avó de Jesus no cristianismo, santa que engravidou já em idade avançada e estéril, graças as penitencias e orações de seu marido, São Joaquim. Sua comemoração no calendário santo é dia 26 de Julho. Por esses motivos, sua atuação protetora encontra-se mais forte nas pessoas de mais idade. Também é muito comum que mulheres que não conseguem engravidar a Ela recorra por auxilio.

Também, a Orixá rege a parte final do ciclo reprodutivo das mulheres: a menopausa, em seguida de Yemanjá regendo a maternidade e Oxum a concepção. Geralmente, é associada às cores roxa e lilás e está posicionada no trono negativo, feminino e absorvente da Evolução, fazendo par com Obaluaê, de acordo com os tronos de evolução revelados por Rubens Saraceni.

REFERÊNCIAS

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Yagé Orixas a Ogum


OGUM
            Ogum, orixá oriundo da mitologia iorubá, é muito mais do que regente dos caminhos e aplicador de lei. Sua vasta atuação encontra terreno fértil em diversos cultos para semear o caminho de guerreiro no coração de seus devotos e admiradores. Desde a sua adoração em cultos antigos até o presente momento de evolução, dificilmente aparece dissociado de sua espada e escudo. Relacionado à forja do ferro e à guerra, irmão de Exu e Oxóssi, é o senhor das próprias armas e caminhos, exalando postura tradicionalmente marcial e isenta de temores ou covardias.
Resultado de imagem para ogum

            Ogum é a representação da própria força em equilíbrio com a inteligência, estratégico e destemido, corajoso e voraz pelo domínio de si próprio. Sua vibração está ligada, por motivos culturais, ao poder de libertação e proteção que essa manifestação divina é capaz de conceder a quem tem fé, simbolizadas pelos já citados escudo e espada ou lança. Sincretizado com São Jorge e também com Santo Antônio, está sempre relacionado à batalhas e vitória sobre demandas, à escolta e ronda na luz e ao serviço devocional dos filhos de fé.
            Seu sincretismo com São Jorge exibe simbologia bastante pertinente ao posicioná-lo em domínio de seu cavalo com suas armas na mão. Acontece que o cavalo é associado, na psique humana, aos sentidos e impulsos animais do homem. O cavalo, quando cavalgando na escuridão, tem a visão noturna muito mais aguçada que o homem mas, quando a luz irradia, é o homem quem enxerga melhor do que o cavalo e assim o domina. Por esse motivo, São Jorge faz também sua morada na Lua, sendo a faceta que reflete a luz do Grande Sol e ilumina a terra em sua faceta de escuridão.
O mesmo acontece com aquele que se irradia sob a luz desse orixá e é igualmente valente o suficiente para ser conduzido por Ele pelas encruzilhadas e caminhos internos a fim de vencer os próprios impulsos de baixa frequência.
            Ao se trabalhar na vibração de Ogum, somos chamados a atender uma guerra interna que pode se manifestar sob diversos prismas e que tem por fim aumentar nosso grau de elevação sob nossas limitações espirituais, materiais, mentais e emocionais. Ogum conduz sempre à vitória pois está amparado no Pai Maior e nos traz, ao mesmo tempo, sensação de coragem e fé que nos impulsiona para tais batalhas sem medo e com garantia de sucesso de nossa luz sob as trevas.
            Antes mesmo de lutar, Ogum já venceu. E assim são também seus filhos e protegidos, livres de receios e amparados pela luz. Batalham com coração, mente e olhar fixos nos princípios divinos e com fé e convicção de que, no fundo, não há derrotas a serem temidas para quem age de acordo com a lei do Criador. Ogum é a manifestação maior do Guerreiro que venceu a maior de todas as demandas – sua natureza e impulsos egóicos -  e, por consequência, assim derruba todas os outras juntas através da servidão prestada junto ao Pai Divino.
Colaboração da nossa querida Irmã de Caminhada Espiritual integrante do Clã do Camaleão Beatriz Mazzini .
Texto Maravilhoso . 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Okê Arô Oke Odé Salve o Orixa Oxossi o Rei das Matas

OXÓSSI
Sabemos que na teoria dos cultos politeístas Deus se manifesta de inúmeras formas, sendo representado por diversas facetas individuais e específicas que nos levam a um conhecimento necessitado por nós naquele momento de acesso ao Divino. Esse conhecimento e essa busca tomam forma, no panteão dos Orixás, através de pai Oxóssi. Conhecido como o Grande Caçador, ligado intimamente a representação dos caboclos na umbanda como o chefe dessa falange, é representado comumente como um índio portando arco e flecha, muitas vezes em posição de caça.
Seu instrumento não poderia ser outro, pois a irradiação de Oxóssi é aquela que nos dá força espiritual e determinação em um só objetivo. Quando encoberta pela emanação desse Orixá, nossa alma se enverga como um arco perante ao divino e nossa determinação, foco e direcionamento corretos apontam para uma só presa: o próprio Criador, o autoconhecimento como sendo a mesma coisa que a realização de Deus nas suas criaturas. Quando essa inclinação natural amanhece no indivíduo, é pai Oxóssi quem instrui a boa caça espiritual, a busca correta pelo conhecimento divino, através dos caminhos que ele abre na mata, na vida e no coração de uma pessoa.

Nesse sentido, é Ele quem fornece aos seus filhos as caracteristicas necessárias para o alcance desse objetivo. Em graus menores, essas irradiações podem nos fazer alcançar em nossas vidas, como forma de demonstração de força da clareza de sua irradiação, conquistas menores, como realizações materiais e terrenas, ou emocionais. No entanto, ele é conhecido como o Caçador de uma flecha só, e essa flecha única é voltada ao conhecimento divino, naturalmente que nos limites do grau de evolução em que cada um de nós nos encontramos. Para nos alinharmos com esse foco, ele nos concede as imprescindíveis caracteristicas dos bons caçadores: paciência, inteligência, firmeza de sentido, foco, concentração, tempestividade, discrição, humildade, coragem, visão e tudo aquilo que necessitarmos para atingir nosso alvo de forma plena e eficaz.
Seu campo de atuação, como não poderia ser de forma diferente, são as matas, as florestas e os locais da natureza onde predomina o reino vegetal, pois é lá onde essas caracteristicas são exercitadas e onde encontramos a fartura e a maior quantidade de fontes de informação e conhecimento da natureza e dos processos de cura dentro das tradições indígenas e africanas. Isso ocorre, por exemplo, pois inúmeros processos de cura e conhecimento espirituais são relacionados as plantas e aos animais do habitat da vegetação de uma cultura. É onde o caçador sai para desenvolver e por a prova suas habilidades e também  onde encontra fartura e fontes de prover suas necessidades, como alimentos e medicinas.
A fartura, a sobrevivência e a busca pelo autoconhecimento, e nesse sentido falamos alinhado com o conhecimento espiritual, tem estreita conexão na linha de Oxóssi, porque a partir do momento que uma pessoa sai a procura desse último, qual seja, sua busca espiritual, Ele nao deixa que nada falte a esse filho e o recompensa com fartura tanto interna quanto externa, que pode vir a se manifestar de forma material, emocional ou espiritual, de acordo com a necessidade e merecimento daquela pessoa.

Como patrono da linha dos caboclos, ele devolve a postura e o comprometimento necessários àqueles que se encontram enfraquecidos de propósitos e de sabedoria, ensina o caminhar determinado e firme do caçador e usa sua paciente concentração para direcionar sua flecha de orientação exatamente onde ela deve atingir. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Carta de Yemanjá


Carta de Yemanjá para uma filha muito especial
Salve, filha querida.
Sei que neste ano que acabou de se iniciar muitas mudanças ficaram mais aparentes em você - algumas externas, a maioria interna.
Ao mesmo tempo, a moldura do seu rosto mudava, e suas máscaras começaram a cair, porque você finalmente olhou para sua escuridão para encontrar a sua luz...
Seus cabelos estão sendo bordados sutilmente com a cor das estrelas que trazem as suas verdades e a vida simples que você está descobrindo em seu interior. Sua concha. Que guarda a pérola mais preciosa - seu coração.
Quero que você saiba que estou com você sempre, do teu lado, te amparando e observando você crescer, aprender e amadurecer. Para se tornar uma pessoa melhor, não há atalhos, filha. Serena o coração. Olha pra dentro. Cuida de você mesma.
Sei que tem sido um processo lindo mas difícil - pensa sobre como ele vai te ajudar a ser melhor enquanto dá desafios na sua vida. Sei que não está sendo fácil mas, te peço, tenha fé e sinta-se grata por não ter deixado a vida e as pessoas amargurarem esse coração lindo e enorme que você tem... Há tanto a aprender, filha! Pega na minha mão e vamos juntas!

Vamos nos unir com amor e respeito a essa grandiosa Orixá .
Templo Polimata 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Odocyabá Mãe Yemanjá

Viva nossa querida mãe Yemanja a Rainha do mar .

Louvor aos Orixás - Yemanjá

YEMANJA
Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes")
Orixá Yemanja se coaduna com as teorias científicas evolucionistas de que a vida surgiu no oceano, sendo esse seu campo de força. Ela tem  sob sua regência, dentro da ótica divina dos orixás, a maternidade, a criação e a geração. Assim como no macro toda a vida começou na água, na cosmologia divina também encontramos a mesma origem. A água em sua simbologia geralmente se refere as emoções, ao feminino e a processos inconscientes. Em suma, essa Yabá tráz todos esses aspectos em sua simbologia, pois representa a memória humana da origem da vida, trazida no inconsciente por cada ser, de que de alguma forma saimos do mar, do amor da mãe divina
Dessa forma, Yemanjá atua diretamente em tudo aquilo que o ser humano, em sua condição de encarnado, tem como sua criação e geração. Ela é protetora dos lares e das famílias, das mães, mas não se limita nessa questão de maternidade literal, na qual dois seres humanos geram uma terceira vida. Ela atua na maternidade em sentido amplo, no amor incondicional à humanidade e por essa razão é comumente representada com os braços abertos, de forma a simbolizar sua receptividade irrestrita. É o orixá que não se limita a dar origem à toda forma de vida, mas que também acolheampara e protege a todos.
Ainda sobre a simbologia de seu campo de força, o oceano, temos que o mar é conhecido por Calunga Grande, ou seja, o grande cemitério. As calungas menores são os cemitérios humanos em terra. Sendo dessa forma, quem rege o trono oposto à Yemanja, sendo seu parceiro no polo negativo, é orixá Omulu, que em parceria divina paralisa e neutraliza os fatores que atentarem negativamente contra a vida ou usarem os poderes de criação e geração contra as leis divinas.  Esse fator é explicado em partes, por exemplo, pelo sal grosso na água marinha. O sal grosso, dentro da umbanda, é capaz de retirar e neutralizar todos os tipos de energia. Nesses termos, temos na movimentação ondina constante que o mar tem a força de puxar e devolver incessantemente, criar e neutralizar, dar o bem e sugar o mal, nos auxiliando nesse plano terrestre em nível energético, sendo capaz de gerar grande serenidade e equílibrio com sua irradiação.Em alguns momentos, temos que a mãe divina é representada como Mamãe Sereia, criatura mítica que é metade mulher, metade peixe. O peixe, para o entendimento dentro dos orixás, é visto como representação de fecundidade, aquele que se movimenta com domínio pelas àguas, que simboliza fartura ebusca espiritual pela origem e destino da alma, natural de todo ser que inicia o processo da inconsciencia para a consciência. Representa também a Mãe Virgem, aquela que é a origem de todas as coisas, e que portanto gera em sí e para si mesma a vida.







Em resumo, a atuação de Yemanja simboliza a espiritualidade e sua busca em seu sentido mais maternal, o aspecto feminino do Deus criador, que gera a vida em sí mesma para que ela se desenvolva e para si mesmo retorne. Por isso, ao se trabalhar na irradiação desse orixá, aspectos inconscientes de memória e emocionais, questões referentes à maternidade, busca espiritual, processos criativos e neutralização de  desequilibrios energéticos podem ser trazidos à baila.

***Texto Escrito por: Beatriz (Bia) - Membra Clã do Camaleão - IP-Campinas***

APÓS O RITUAL :
RODA DE KAMBO PARA OS QUE DESEJAREM INTENSIFICAR SEUS PROCESSOS DE LIMPEZA .
HORÁRIO 08:00 
CAFÉ DA MANHÃ 09:00 
DE ACORDO COM O CLIMA, RITUAL PARA LIMPEZA DE GUIAS NO NOSSO RIO ORAYEYEO.

MINHAS MAIS HUMILDES REVERÊNCIAS A TODOS OS BUSCADORES E BUSCADORAS DA EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA .
MUITO ASÉ .
RJS/ NEA VARINAWA